Lallemand Animal Nutrition
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Novidades

jun 25, 2013

Benefícios do Microcell para bovinos de corte em confinamento

jun 25, 2013

O artigo abaixo, produzido por Lucas Mari, Gerente de Probióticos da Lallemand Animal Nutrition, foi originalmente publicado no site Casa do Produtor Rural, da ESALQ, e fala sobre os benefícios do Microcell para ações ruminais e intestinais. O nome comercial não foi citado por se tratar de um site acadêmico.

Bactérias probióticas para bovinos de corte em confinamento

Historicamente as informações relacionadas ao mecanismo simbiótico, ou seja, a relação entre dois ou mais organismos vivos, com vantagens para todos os envolvidos, vêm aumentando com vistas ao uso de microrganismos benéficos na nutrição animal, bem como na nutrição humana.

Esses microrganismos benéficos são conhecidos como probióticos, junção da preposição de origem latina pro = “em favor”, associada à palavra grega bios = “vida”. Até mesmo os humanos fazem uso desta associação com certa frequência, alguns exemplos são: o consumo de queijos, de iogurtes (Activia®, por exemplo), de bebidas lácteas fermentadas comerciais (Yakult®, Chamyto®, Vig®, dentre outros) ou caseiras (Kefir, por exemplo), além de certos medicamentos usados como reconstituintes ou estimuladores da flora natural intestinal, tais como Floratil®e outros produtos bastante comuns nos dias de hoje.

De acordo com a FAO/WHO (2001), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a definição de probióticos internacionalmente aceita é de que são microrganismos vivos administrados, em quantidades adequadas, que conferem benefícios à saúde dos hospedeiros, sejam estes humanos ou animais. Esses probióticos podem ser bactérias ou leveduras.

Desde o início do século passado, por meio do livro intitulado The Prolongation of Life (O Prolongamento da Vida, em português), escrito pelo ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 1908 e pesquisador do Instituto Pasteur da França, Élie Metchnikoff (1908), despertou-se para o tema da utilização de microrganismos, de forma a trazer benefícios aos homens e aos animais.

Em seu livro, Metchnikoff (1908) propôs, pela primeira vez, que o uso de bactérias do gênero Lactobacillus seria benéfico ao hospedeiro. Esta proposição deu-se por observações de que alguns habitantes da Bulgária seriam mais longevos. Isso seria consequência do consumo de uma bebida láctea fermentada contendo Lactobacillus que os ajudariam no controle de bactérias intestinais indesejáveis.

De acordo com Stern & Storrs (1975), as teorias de Metchnikoff levaram a vários estudos da eficácia de Lactobacillusdurante a década de 20. Ainda, segundo os autores mencionados, a popularidade do Lactobacillus acidophilus nos EUA atingiu o pico em meados dos anos 30 e então o uso se enfraqueceu, em decorrência da descoberta dos antibióticos.

Após a Segunda Guerra Mundial, os antibióticos começaram a ser largamente utilizados e, por não serem tão específicos à época, começaram a destruir todas as bactérias intestinais, maléficas ou benéficas sem distinção, causando, então, a conhecida diarreia antibiótica e seus efeitos colaterais. A partir de então o uso de L. acidophilus e outros microrganismos foi retomado como terapia de restituição da flora intestinal normal e seu uso voltou a aumentar para humanos e para animais.

Efeito de bactérias probióticas para gado de corte em confinamento

Antes de qualquer coisa é preciso destacar que o rúmen constitui-se de um órgão com um ecossistema complexo, no qual os microrganismos presentes no seu interior utilizam carboidratos e proteínas para seu crescimento e multiplicação. Após usarem estes substratos, a microbiota ruminal produz alguns metabólitos desta fermentação, tais como: ácidos graxos de cadeia curta (antigamente conhecidos como ácidos graxos voláteis) e proteína microbiana, sendo, assim, as principais fontes, respectivamente, de energia e proteína para os ruminantes hospedeiros.

Alterações no equilíbrio desse ecossistema, como mudanças bruscas de dietas, inconsistência dessas dietas, variação nos horários dos tratos, vários tipos de estresses a que os animais podem ser submetidos, podem comprometer a saúde do rúmen e, consequentemente, a saúde do animal.

O uso dos probióticos para animais de corte em confinamento busca duas principais ações, melhoria do ambiente ruminal e também um melhor ambiente intestinal.

Existe um produto contendo bactérias probióticas para animais em confinamento no mercado nacional com base na associação de Lactobacillus buchneri 40788 e Lactobacillus acidophilus BT1386, justamente para ações ruminais e intestinais, respectivamente.

A primeira bactéria já teve seu efeito descrito na melhoria da digestibilidade de porções da fibra, digerindo as porções conhecidas como xilanas. Essa ação significa que os animais poderão aproveitar melhor este carboidrato, provendo, assim, um suprimento de energia, sem, todavia, aumentar o consumo de matéria seca pelos animais.

A outra bactéria, Lactobacillus acidophilus, cepa BT1386 foi isolada pela primeira vez nos anos 1980 por pesquisadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, devido ao seu efeito inibitório sobre microrganismos patogênicos incluindo Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Pseudomonas sp., Salmonella sp. e S. typhimurium.

Ela é a cepa mais usada como microrganismo probiótico e a efetividade deste L. acidophilus é demonstrada em anos de pesquisas, com a construção de uma firme reputação na melhoria do desempenho animal e lucratividade em confinamentos.

O uso de L. acidophilus BT1386 mantém o ambiente intestinal equilibrado, o que inibe a habilidade de patógenos em desenvolver infecções. A inibição destas bactérias patogênicas ocorre por meio de dois mecanismos:

– Colonização do lúmen intestinal pela cepa BT1386, inibindo, dessa forma, a adesão e proliferação de bactérias patogênicas na mucosa;

– Produção de ácido lático e de bacteriocinas que também exercem inibição de patógenos.

Muitos estudos foram conduzidos, tanto em universidade, como em unidades de confinamentos comerciais, para se verificar a consistência dos estudos sobre a ação dessas bactérias probióticas e a resposta de desempenho dos animais.

Em três estudos conduzidos em universidades dos Estados Unidos, a suplementação dos animais confinados com a associação das duas bactérias mencionadas, melhorou a conversão alimentar em 3,1%, na média, conforme pode ser observado na Figura 1. Isto quer dizer que os animais que receberam este probiótico conseguiram ganhar o mesmo peso ingerindo 3,1% menos alimento. A melhor conversão alimentar nos dias atuais quando o custo alimentar está cada vez mais alto, representa grande vantagem ao produtor.

Também no Brasil, um estudo foi desenvolvido junto à unidade do Apta Regional de Colina, no estado de São Paulo. Os autores dividiram os animais da raça Nelore em dois grupos homogêneos com peso vivo inicial de 455 kg. A única diferença entre os tratamentos foi a inclusão dos microrganismos probióticos à ração de um dos grupos e os resultados estão demonstrados na Tabela 1.

Fonte: Castro et al., 2010.

Notas: GPD – ganho de peso médio diário; IMS – ingestão de matéria seca; CA – conversão alimentar; EA – eficiência alimentar.

Verifica-se que houve maior ganho de peso médio diário ao final do experimento de 6,7% no grupo de animais que receberam a suplementação probiótica, comparativamente ao grupo controle. A ingestão de matéria seca foi ligeiramente menor para o grupo controle (- 1,6%), entretanto quando se calcula a conversão alimentar, nota-se uma melhora de em 4,9% frente ao grupo de animais que não recebeu o probiótico.

Tomando como base o estudo conduzido no nosso país e considerando o custo médio teórico alimentar para um animal em confinamento de R$ 4,30/dia, a melhoria de 4,9% na conversão poderia trazer um retorno de R$ 0,21/animal/dia.

Considerações finais

O uso de probióticos tem despertado interesse também na nutrição de ruminantes. Estes aditivos microbianos (leveduras ou bactérias) podem ser interessantes ao pecuarista com resultados demonstrados de melhoria nos índices zootécnicos e financeiros importantes para serem considerados como ferramentas na produção animal.

Além disso, por se tratar de um aditivo natural é aceito sem restrições em mercados bastante exigentes como a Comunidade Europeia e Japão, por exemplo, bem como uso em produções orgânicas como alternativas aos antibióticos.

Lucas José Mari

Médico Veterinário

Gerente de Probióticos da Lallemand Animal Nutrition.