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nov 24, 2015

Manejo nutricional durante o estresse térmico

nov 24, 2015

Recomendações nutricionais gerais

Programas nutricionais apropriados são importantes para ajudar a limitar o impacto do estresse térmico. Um dos objetivos desses programas é melhorar a eficiência alimentar para compensar a redução no consumo, enquanto protege o ambiente ruminal contra o risco de acidose.

Como as vacas comem menos matéria seca à medida que a temperatura sobre, pode-se considerar aumentar a densidade energética da dieta para compensar parte dessa queda no consumo. Forragem fresca e palatável de alta qualidade e alta digestibilidade deve ser oferecida ao animal se possível. Mais amido ou gordura podem ser úteis também.

É importante notar que o balanço do pH ruminal é desafiado em vacas com estresse térmico e isso é um grande risco para desenvolvimento de acidose. Portanto, deve-se tomar um cuidado extra com o manejo do rúmen nesse período. Fornecer na dieta uma fonte de fibra de alta qualidade que mantenha o rúmen estável e ainda forneça energia é altamente recomendado, especialmente para rebanhos de alta produção que recebem dietas ricas em amido.

Além disso, também recomenda-se o uso de modificadores que melhoram e protegem o ambiente ruminal, como uma levedura viva específica. Em seguida, será detalhada uma pesquisa conduzida sob estresse térmico severo, que confirma os benefícios da levedura viva Saccharomyces cerevisiae I-1077 em limitar as perdas na produção de leite.

Outro aspecto importante é balancear os eletrólitos minerais na dieta da vaca, já que a excessiva sudorese leva a perdas de sódio e potássio.

Finalmente, como a taxa de respiração mais alta induz a uma maior produção de substâncias reativas ao oxigênio (ROS), é recomendado aumentar o consumo de antioxidantes, como o selênio orgânico, vitamina E, etc.

O papel da levedura viva Saccharomyces cerevisiae I-1077: Experimento da Universidade da Flórida (EUA) (2010)

Experimentos anteriores indicavam que a Saccharomyces cerevisiae I-1077, cepa de levedura específica para ruminantes selecionada pelo INRA por seus efeitos na função e no ambiente ruminal, é eficaz para reduzir o impacto do estresse térmico na performance do gado leiteiro:

>  Um experimento realizado em Xangai em 2003 (Dairy Co) mostrou que sob estresse térmico (veja figura 1), a suplementação de vacas leiteiras com S. cerevisiae I-1077 melhorou o retorno sobre o custo da ração em 3%, traduzido em um ROI (retorno sobre investimento) 10:1 para o produtor de leite.

Outro experimento realizado em Nova York em 2004 (FARME Institute), mostrou que sob estresse térmico (Fig. 1),S. cerevisiae I-1077 melhorou o retorno sobre o custo da ração em 9%, equivalente a um ROI de 14:1.

Baseado nesses resultados e na vasta literatura sobre o efeito positivo da S. cerevisiae I-1077 na função ruminal, o Departamento de Ciência Animal da Universidade da Flórida (Gainesville, EUA) conduziu um novo experimento em 2009 para avaliar o impacto dessa levedura na eficiência alimentar e condição ruminal de vacas leiteiras de alta produção sob estresse térmico severo. Os resultados desses experimentos foram apresentados na reunião anual ADSA em julho de 2010 (Marsola et al., 2010).

Este experimento foi conduzido entre maio e setembro de 2009, sob condições de estresse térmico severo (ITU: 80, em média, veja figura 2), com 60 vacas leiteiras.

As vacas foram aleatoriamente separadas em três grupos:

> Controle: somente dieta basal

> Levucell®SC 20: dieta basal + 10 bilhões de ufc/vaca/dia (dosagem recomendada em condições normais, equivalente a 0,5g/vaca/dia).

> Levucell®SC 20: dieta basal + 20 bilhões de ufc/vaca/dia (taxa para condições de estresse: equivalente a 1g/vaca/dia).

A dieta basal foi composta de: silagem de milho (41,1%), feno de alfafa (10,4%), grão de cerveja molhado (5,2%) e mix de grãos (43,0%), com base na matéria seca.

O estudo de três meses mostrou que:

S. cerevisiae I-1077 aumentou a eficiência alimentar (figura 3) em 2% quando usada na dosagem padrão recomendada (10 bilhões de ufc/vaca/dia), um resultado próximo à metanálise de Ondarza e Sniffen que reuniu 14 experimentos e 1600 vacas de leite no total, sob situação padrão e sem estresse (De Ondarza et al. 2010). Se fornecido na dosagem maior para condições de estresse (20 bilhões de ufc/vaca/dia = 1,0g/vaca/dia) obervou-se uma melhora de 7%, ainda mais significante, equivalente a 120g a mais de leite por Kg de IMS.

S. cerevisiae I-1077 diminuiu significativamente o número de vacas com risco de acidose: 45% das vacas apresentaram pH mais baixo que 5,8 no grupo controle versus 10,5% das vacas tratadas com 1,0g/vaca/dia de Levucell®SC 20 (figura 4). O número de vacas com nível de lactato acima de 1 mmol também é significativamente reduzido com a suplementação (fig. 5).

Mecanismos de ação da S. cerevisiae I-1077

A cepa de levedura viva Saccharomyces cerevisiae I-1077 foi selecionada e extensivamente estudada por institutos internacionais de pesquisa e universidades (mais de 60 publicações), por seu modo de ação no rúmen e benefícios na saúde e função ruminal.

Três principais mecanismos foram identificados para explicar seu efeito positivo no desempenho dos ruminantes:

> Melhora do pH ruminal: menor risco de acidose.

> Melhora na digestibilidade da fibra e utilização do nitrogênio: aumento na eficiência alimentar.

> Estabilização da microflora ruminal.

Todas essas ações vão ajudar a compensar os efeitos prejudiciais do estresse térmico e de qualquer outro evento estressante para o balanço ruminal (transição de dieta, transporte, etc):

> Estresse térmico é um fator de risco para acidose ruminal: S. cerevisiae I-1077 estabiliza o pH ruminal. Esse efeito foi demonstrado sob várias condições com diferentes dietas (Bach et al. 2007, Thrune et al., 2009, Guedes et al., 2007).

> IMS e eficiência alimentar normalmente diminuem durante o estresse térmico. Entretanto, no experimento da Universidade de Flórida, a eficiência alimentar melhorou durante o estresse térmico com a adição de S. cerevisiaeI-1077, com maior produção de leite para mudanças pouco significativas no consumo de matéria seca.

Além disso, Alex Bach do IRTA (2007), demonstrou um efeito dessa cepa de levedura no comportamento alimentar de vacas leiteiras: o intervalo médio de refeição foi reduzido de 4h no grupo controle para 3h 20 min. As vacas alimentadas com S. cerevisiae I-1077 teve refeições menores e mais frequentes. No mesmo estudo, o pH ruminal também aumentou com S. cerevisiae I-1077 e o tempo com pH menor que 5,6 foi reduzido.

Antioxidantes: o papel chave do selênio orgânico

Em várias regiões ao redor do mundo, o solo e consequentemente as plantas e forragens que nele crescem têm deficiência de selênio, oligoelemento há muito tempo reconhecido por suas propriedades antioxidantes. Em particular, a família de enzimas antioxidativas glutationa peroxidase, contendo selênio incorporado ao aminoácido (forma orgânica), tem um papel importante na manutenção do balanço antioxidativo e proteção celular. Tem sido mostrado que o nível de atividade antioxidativa dessas enzimas está intimamente ligado ao status de selênio no organismo, por isso a necessidade de suplementar a ração com selênio. Isso é ainda mais importante durante os períodos de estresse térmico, quando o balanço oxidativo é desafiado.

A suplementação com selênio existe em várias formas, seja de origem mineral (selenato e selenito), ou orgânica (incorporado ao aminoácido, a forma natural encontrada em plantas e leveduras). Está bem demonstrado que o selênio orgânico, como o encontrado na levedura enriquecida com selênio ALKOSEL®, é mais biodisponível que o selênio mineral (EFSA opinion, 2008).

Experimentos mostraram que a suplementação de vacas leiteiras com levedura enriquecida com selênio (ALKOSEL®) aumentou o status de selênio no sangue, leite e colostro das vacas, para vários níveis mais altos se comparado com doses equivalentes de selênio mineral. Baseado na atividade antioxidativa do selênio, ALKOSEL® tem o potencial de melhorar as funções reprodutivas e imunológicas, que são comprometidas pelo estresse térmico. Por exemplo, foi mostrado que a suplementação com selênio orgânico teve um papel fundamental na prevenção da retenção de placenta.

Além disso, foi mostrado que a suplementação de vacas com levedura de selênio pode ajudar a reduzir CCS no leite mais eficientemente que o selenito mineral, como mostrado em estudo de Malbé et al (figura 6).

Smith et al. (1997) relacionaram o efeito protetivo do selênio à influência do status antioxidante nas funções dos neutrófilos, as células imunológicas circulantes responsáveis pela rápida resposta do organismo aos patógenos. Quando a capacidade antioxidante é limitada, sob situações de estresse, a vida útil dessas células imunes é reduzida e a infecção pode se estabelecer ou a gravidade dessa infecção aumentar.

Conclusão

A produção de leite é impactada negativamente pelo estresse térmico e a última reavaliação do limite desse tipo de estresse indica que as vacas de leite são afetadas mais cedo do que se pensava. Nossa mais recente pesquisa sobre soluções naturais microbiológicas mostram que quando são respeitadas as boas práticas de manejo (alojamento e nutrição…), a ajuda adicional dessas soluções nutricionais pode beneficiar o produtor de leite. Elas são uma parte integrante de um programa de manejo durante o estresse térmico e podem ajudar a limitar seu impacto na saúde e produtividade da vaca: a levedura viva S. cerevisiae I-1077 ajuda a restaurar e manter a função ruminal, melhorando o pH e eficiência alimentar durante condições estressantes. O selênio orgânico da levedura restaura e protege o status antioxidante do animal com impacto positivo na higiene do leite, fertilidade e imunidade do animal.

Fonte: Scientific review – New insights on heat stress evaluation and impact in dairy cows and its management through microbial solutions. Practical cases for live yeast Saccharomyces cerevisiae I-1077 and organic selenium. (Documento de marketing produzido pela Lallemand Animal Nutrition)