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jun 06, 2016

Silagem de cana-de-açúcar pode ser boa alternativa para 2016

jun 06, 2016

Por Lucas Mari¹

Introdução

A cana-de-açúcar ensilada, que foi negligenciada por um bom tempo, se utilizada em certas proporções na dieta e para determinadas categorias, tem se mostrado uma fonte de forragem economicamente interessante para suprir a demanda dos animais. Dependendo do ano agrícola e da época do ano, algumas planilhas de comparação de volumosos suplementares têm demonstrado vantagem econômica para a cana fresca ou ensilada frente a outras opções mais tradicionais como silagem de milho ou sorgo, bem como feno de gramíneas.

Foi no início dos anos 2000 que um inoculante contendo bactérias heterofermentativas, o Lalsil® Cana (Lactobacillus buchneri NCIMB 40788), foi avaliado e demonstrou resultados de melhorar a estabilidade aeróbia, o perfil fermentativo das silagens de cana e o desempenho animal.

Aditivos contendo bactérias heteroláticas que, além do ácido lático, produzem ácido acético e/ou ácido propiônico têm apresentado maneiras de melhorar a estabilidade aeróbia das silagens, devido ao maior poder destes últimos de controlar o crescimento de leveduras e fungos. As cepas de L. buchneri não produzem etanol (Danner et al., 2003), uma vez que não possuem a enzima acetaldeído desidrogenase, tornando-se de interesse e com potencial de utilização na inoculação da cana-de-açúcar submetida à ensilagem, tanto com relação ao processo fermentativo, quanto com relação à estabilidade após a abertura.

Resultados de estudos científicos do uso do Lactobacillus buchneri NCIMB 40788 e a patente de uso deste microrganismo em silagem de cana-de-açúcar (PI 0305600-7)

As primeiras avaliações do uso de bactérias heterofermentativas para uso na ensilagem de cana-de- açúcar ocorreram no início dos anos 2000 com a equipe de pesquisadores da USP/ESALQ, o que culminou com a concessão da patente pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial, sob código PI 0305600-7. Outras instituições de pesquisa também deram sua contribuição no desenvolvimento deste inoculante para silagem de cana-de-açúcar, tais como: a FCAV/Unesp de Jaboticabal – SP, UEM de Maringá – PR, UFLA de Lavras – MG, dentre outras.

No início dos estudos de Pedroso et al. (2007) já se observou que cepas de bactérias homofermentativas levavam a resultados decepcionantes e efeito inverso ao requerido. Os autores encontraram produções de etanol mais de três vezes superiores (3,82% para a silagem sem inoculante vs. 12,5% para a silagem inoculada com L.plantarum), conforme mostra a Figura 1. Além disso, as perdas fermentativas para a silagem inoculada com Lactobacillus plantarum foram as mais altas (21,5% da MS) dentre os tratamentos testados (Figura 2).

Pedroso et al. (2007) relataram que a inoculação com um produto específico e indicado para silagem de cana-de-açúcar, promoveu melhorias significativas nos parâmetros avaliados, estes resultados estão demonstrados nas Figuras 1 a 4.

Uma importante conclusão pode ser retirada dessa pesquisa: bactérias homofermentativas, como L. plantarum, não devem ser utilizadas em silagens de cana-de-açúcar, mesmo se acompanhadas de bactérias heterofermentativas. Por sua vez, o L. buchneri NCIMB 40788 exclusivo foi o melhor dos tratamentos testados, com redução de perdas de MS e da fermentação alcoólica.

Em recente estudo publicado Rabelo et al. (2016) avaliaram o uso de Lactobacillus plantarum em silagem de cana-de-açúcar em metanálise de 15 estudos publicados em revistas científicas. Confirmando o que foi descrito acima, a inoculação da cana-de-açúcar com essa bactéria prejudica a fermentação, levando à produção de álcool quase 54% superior que a silagem controle e aumentando as perdas de MS em cerca de 15%, comparada à silagem sem inoculante.

O único produto que possui a cepa patenteada de L. buchneri NCIMB 40788 para uso em cana-de- açúcar no mercado é o Lalsil® Cana, produzido pela Lallemand Animal Nutrition.

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¹ Médico Veterinário, D.Sc. – Gerente de Suporte Técnico para América do Sul – Lallemand Animal Nutrition