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jul 04, 2019

Situações práticas de outono em lavouras de milho a serem ensiladas

jul 04, 2019

Introdução

Nos últimos anos nos estados do Sul, algumas regiões sofreram com os campos semeados para uma colheita do milho “safrinha” ou de outras culturas.

Características dessa forragem

O primeiro procedimento que deve ser feito é a amostragem de algumas plantas para monitoramento do teor de MS.

  • Baixo conteúdo de amido: a falta de chuva dificulta o enchimento dos grãos e a translocação de nutrientes para a espiga (também evidenciado na Foto 1);
  • Altos níveis de açúcares: relacionado ao tópico acima, as plantas de milho que tenham passado por seca têm os carboidratos solúveis (açúcares) que não foram convertidos em amido, fazendo com que a concentração esteja na planta na forma de açúcares;
  • Produção de MV reduzida: baixo crescimento vegetal como é evidente em áreas que sofrem com período de escassez de água durante o desenvolvimento vegetal (Foto 2). A redução na altura, associada ao menor acúmulo de amido têm impacto negativo nos dois principais fatores de uma boa silagem de milho: produção de MS e densidade energética;
  • Maior digestibilidade do FDN: como faltou água, não houve estímulo de formação de tecido de sustentação vegetal. Sabe-se que a inturgescência das células vegetais (acúmulo de água) é uma das responsáveis pela formação e deposição de porções menos digestíveis das plantas, tal como a lignina. Sendo assim, a fibra torna-se mais digestível (maiores valores de FDN-D);
  • Alto conteúdo de nitrato: esta questão está relacionada ao metabolismo de nitrogênio na planta. Alto nitrato nas plantas é crítico, sobretudo, para algumas categorias de animais (gado de leite e animais de cria). O nitrato acumulado pode levar à intoxicação por nitrito nos animais. Mais abaixo isso será comentado em mais detalhes.

Abaixo temos os valores de amostras (n = 1.386) avaliadas em um laboratório nos EUA, comparando algumas que passaram por seca e outras que tiveram as situações climáticas normais.

 

Tabela 1 – Comparativo de amostras analisadas nos EUA considerando materiais que sofreram déficit hídrico (seca) e materiais normais.

Amostras MS (%) PB   (%MS) FDN (%MS) FDA (%MS) FDN-D (%) Cinzas (%MS) Amido (%MS)

Carboidratos solúveis (%MS)

Déficit hídrico 25,2 10,1 53,7 31,1 59 6,3 10,5 7
Planta normal 35,1 8,8 45 28,1 55 4,3 32 1

Nota: FDN-D – Digestibilidade do FDN.

Fonte: Dairyland Labs – 1.386 amostras de silagem de milho que foram ensiladas entre 01/Julho a 07/Agosto de 2012, nos EUA em regiões de déficit hídrico e planta normal.

 

Cuidados com plantas nas situações de seca e geada

Uma das características dessas plantas é parecerem mais secas do que realmente estão, portanto há risco de colheita mais precoce do que deveria e que leva a fermentação butírica. Se o teor de MS estiver baixo e mesmo assim já for preciso a colheita nesse momento, a inoculação com bactérias homofermentativas é recomendada.

 

Foto 1 – Característica dos grãos de milho de plantas que sofrem estresse hídrico no estado de Goiás. Cortesia: Jorge Jawabri.

 

Foto 2 – Lavoura de milho no estado de Goiás demonstrando a baixa produção de MS devido a seca que o material passou nos meses de março e abril de 2016. Cortesia: Jorge Jawabri.

 

As plantas que passaram por seca acumulam nitrato durante o metabolismo de nitrogênio, principalmente nas porções mais baixas da planta, como demonstrado na Figura 1, em resultados de pesquisa da Universidade de Wisconsin.

Figura 1 – Níveis de nitrato em plantas de milho que cresceram com a falta d’água. Fonte: Universidade de Wisconsin.

 

A boa notícia é que a ensilagem é capaz de diminuir consideravelmente o nível de nitrato durante o processo fermentativo, podendo alcançar até 60% de diminuição do teor de nitrato original na planta fresca, segundo alguns autores.

Silagem de forragens danificadas pela geada

Muito semelhante à seca, a geada compromete as plantas em momentos em que, geralmente, ainda não estão prontas para colheita, como demonstra a Foto 4. Nota-se que as folhas estão secas, mas as espigas ainda estão verdes, como citado acima para plantas que passaram pela seca, ainda pode haver água no colmo, o que poderia levar a uma fermentação inadequada.

Foto 4 – Lavoura que passou por geada em Maio de 2016 no estado de SC.

 

A maior parte das recomendações é que essas lavouras devem ser colhidas até alguns dias (entre 5 e 7 dias) após o fenômeno e garantir a boa fermentação. Se for necessário, deve-se utilizar inoculantes que podem ajudar a controlar fungos e leveduras (L. buchneri ou Propionibacterium acidipropionici).

Recomendações gerais

  • Monitore o teor de MS de lavouras atingidas por seca ou geada se o objetivo for ensilá-las;
  • Mantenha as áreas que sofreu seca pelo tempo mais longo possível no campo, pois os níveis de nitrato devem diminuir com o avanço da maturidade;
  • O corte mais alto tende a levar para o silo um material de menor teor de nitrato;
  • Espere entre 3 e 5 dias após a chuva para colher o material;
  • Use bactérias homofermentativas (Pediococcus acidilactici e Lactobacillus plantarum, por exemplo) para inocular a forragem se estiver abaixo de 33% de MS;
  • Use buchneri se o teor de MS estiver acima de 33% de MS para ajudar também após a abertura;
  • Por maior que seja o dano climático (seca ou geada) os animais podem ter desempenho zootécnico adequado, um técnico tem a capacidade de ajustar a formulação para que isso ocorra.